
Foste a que mais sofreste, e provavelmente ainda nem curada por completa estás dessa última entrada arrebatada. Entendo o quanto sofres, e acredita que o faço contigo. Ponho - me em concha durante a noite, e gemo, gemo muito. Noites e noites inteiras de pura dor. Coloco minha almofada sobre a boca, para abafar o som, e nesse momento grito. Parece que quando grito e enquanto faço este preconceituoso som, a dor passa. A minha cabeça começa a andar às voltas, e eu sinto - me no mundo da droga. Sinto - me vivamente uma toxicodependente, não porque consumo, mas sim, porque os seus efeitos secundários têm reacções um pouco fora do normal em mim. Também gritas, e por incrível que pareça, consegues mesmo chegar à exaustão. Já tentei em conjunto contigo, mas a dor que tu carregas é de todo muito maior que a minha. Não tenho justificações para sofrer tanto, tu por exemplo, sofres igual a mim, e tens mais dores e problemas. És forte, e eu vejo a minha força em ti. Não te encontro o fim, e és vivamente algo de outro mundo.
Em mundos contrários nós juntamos - nos todas as noites, e sabes bem que os segredos que sussurramos uma com a outra, são desejadamente perigosos. Vão começando a entrar por caminhos cruéis, que uma vez entrados, jamais saída possível há. Rimos - nos ironicamente uma para a outra, trocamos olhares como se fossemos amantes compulsivas, e tocamos - nos mutuamente. Sabemos perfeitamente que a dor com pudor, sempre foram uma boa combinação, e para ser sincera eu gosto dela, não porque me faz ter desejos com ele, mas porque tu sabes sempre tocar - me no ponto fraco, tal como eu sei tocar no teu. É muito tempo juntas, desde pequeninas que compartilhamos os nossos mundos, e desde pequeninas que tentamos com eles se cruzem por impossível que seja. Porque na verdade, o ela (...) é algo que só a minha me pertence. Porque o ela, é a parte do meu corpo que carrega a minha dor. Porque o ela (...) é a minha inconsciente alma.
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